Estudo defende calendário para plantio da soja e evitar pragas em MT

Estudo defende calendário para plantio da soja e evitar pragas em MT

Dados do Consórcio Antiferrugem demonstram que a calendarização do plantio é um dos instrumentos mais importantes para conter a ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), principal doença da soja. O consórcio reúne cerca de 60 pesquisadores de instituições públicas e privadas e mais de cem laboratórios cadastrados.

Acumulando mais de 15 anos de informações e estatísticas, foi constatado que após a instituição da calendarização da soja na safra 2014/15 em Goiás, e na safra 2015/16 em Mato Grosso e no Paraná, a incidência de perdas devido a ferrugem asiática passaram a ser casos isolados. O objetivo da calendarização, de acordo com o site da Embrapa, “é reduzir o número de aplicações de fungicidas ao longo da safra e com isso reduzir a pressão de seleção de resistência do fungo aos fungicidas”.

A adoção do calendário se mostrou uma eficiente aliada no combate a praga, agindo como uma vacina contra a doença. Antes da janela do plantio, havia uma média de 1.500 ocorrências por safra. Mas nos últimos anos, após a implantação da calendarização, a ferrugem passou a ter uma redução exponencial, para cerca de 500 casos por safra. 

As informações, que estão disponíveis no site do Consórcio (www.consorcioantiferrugem.net) demonstram que a ideia da Aprosoja plantar fora do período estabelecido por lei é um péssimo negócio para a lavoura da oleaginosa não somente no Estado, mas para o país. Mesmo que seja com a proposta de um teste, desobedecer o calendário, que tem dados técnicos sólidos para existir, poderá acarretar danos ambientais e econômicos irreparáveis. 

 
 

De acordo com o a Embrapa essa semeadura tardia poderá trazer esporos do fungo com indivíduos resistentes, exigindo antecipação e mais quantidades de aplicações de fungicidas. “Quanto maior o número de aplicações, maior a exposição dos fungicidas e maior a chance de acelerar o processo de seleção de populações resistentes a esses fungicidas”.

Desde que a ferrugem asiática surgiu no Brasil em 2002, produtores, empresas e governos têm investido esforços para o controle da pior doença da soja. Para evitar prejuízos bilionários, como aconteceu na safra de 2005/06, foram instituídos mecanismos de controle da praga, ou seja, da epidemia da ferrugem asiática.

Entre as medidas estipuladas pelo governo federal estão a proibição do plantio irrigado, de duas safras seguidas de soja, também conhecida como soja sobre soja. Foi instituído o período de vazio sanitário, intervalo de tempo em que não pode haver nenhuma planta viva em solo. E, por fim, a calendarização da soja, que delimita o intervalo de tempo que a soja pode ser plantada. 

Todas essas medidas fazem parte da estratégia do controle epidemiológico da doença e qualquer alteração nesse equilíbrio pode provocar o ressurgimento da epidemia. E neste cenário, como está sendo observado com o covid-19, não haverá UTI para todos.

O plantio da soja em fevereiro poderá trazer o descontrole da ferrugem asiática, pois todo o restante da safra já foi colhido, mas o fungo continuará se desenvolvendo na soja tardia. Assim, mais rapidamente os fungicidas se tornariam ineficientes ao controle da praga. 

Para contornar esse dano serão necessários fungicidas mais eficientes, mais aplicações de defensivos, aumentando em escala o custo de plantio e aplicações de fungicidas.

Com isso, o chamado custo-ferrugem que é a soma de todos os preventivos contra a praga, mais perda de um percentual da produção poderá crescer tanto a o ponto de tornar inviável o plantio de soja no Centro-Oeste.

Autor(a): DA REDAÇÃO

Fonte: Folha Max